Grupo Malwee fecha filial – fonte Jornal de Pomerode

O anúncio do encerramento das atividades na unidade do Grupo Malwee, localizada em Pomerode, foi efetuado na manhã desta quarta-feira, 22 de maio.

Segundo informações extraoficiais, os colaboradores iniciaram o dia com a informação de que a filial pomerodense fechará suas portas nos próximos 30 dias e será integrada à unidade de Jaraguá do Sul.

O Jornal de Pomerode entrou em contato com a assessoria de imprensa do Grupo e, em breve, trará as informações completas.

Confira parecer da empresa aqui.

Após o anúncio do encerramento das atividades na segunda unidade do Grupo Malwee, localizada em Pomerode, efetuado na manhã desta quarta-feira, 22 de maio, o Jornal de Pomerode entrou em contato com a assessoria de imprensa da empresa têxtil, que divulgou nota oficial.

Segundo o documento, não haverá nenhuma demissão e os 364 funcionários, máquinas e equipamentos serão unificados à matriz, localizada em Jaraguá do Sul. Agora, cabe ao funcionário optar pela transferência, ou não.

Nota para a imprensa

O Grupo Malwee anunciou, nesta quarta-feira (22), um plano de investimentos para o triênio 2019-2021. Os recursos serão destinados para projetos nas áreas de sustentabilidade, modernização do parque fabril dentro do conceito de indústria 4.0 e iniciativas nas frentes de tecnologia da informação, varejo e inovação. O objetivo é tornar a companhia ainda mais eficiente, competitiva e sustentável.   

Dentro do plano, uma das iniciativas da companhia é transferir a produção da Unidade Pomerode (SC) para a Unidade Matriz, em Jaraguá do Sul (SC). A unificação deve trazer ganhos de agilidade, eficiência operacional, sinergia e facilidade nas tomadas de decisão. 

O comunicado oficial aos 364 funcionários aconteceu nesta quarta-feira, dia 22. O processo de unificação das plantas começa em junho, com a integração do quadro de funcionários, máquinas e equipamentos. Não haverá demissões.

Sindicato negocia acordo

Visando a proteção dos direitos dos funcionários que atuavam na unidade de Pomerode, o Sindicato do Vestuário de Pomerode (Sintivepo) negociou com representantes da empresa alguns pontos para que os colaboradores não fossem prejudicados pela decisão.

Segundo documento divulgado pelo órgão, a empresa baseou todas as suas decisões e a elaboração de seu acordo no Art. 469 da CLT. Nesse acordo, os trabalhadores abrem mão do saque de 20% do seu saldo do FGTS; de metade da multa rescisória, ou seja, ao invés de 40% passam a receber somente 20%; abrem mão, também, de metade do Aviso Prévio; e ainda perdem o direito ao seguro desemprego.

Esse acordo mútuo era o que Malwee pretendia oferecer aos funcionários que não quisessem se transferir para sua matriz em Jaraguá do Sul.

Segundo o presidente da entidade, Wolfgang Schumann, foram realizadas duas reuniões para tratar sobre a situação dos trabalhadores que atuavam na unidade de Pomerode, uma na segunda-feira, dia 20 e outra no dia seguinte. Um novo acordo foi decidido junto a uma equipe da matriz de Jaraguá do Sul.

“Na primeira reunião, recebemos dois documentos, um anunciando o fechamento da unidade de Pomerode e o segundo trazendo uma proposta de acordo mútuo com os trabalhadores. A proposta era transferir todos os funcionários para a matriz e, para quem não quisesse aderir à transferência, havia a proposta da Malwee de entrar em um mútuo acordo sobre o desligamento”, explica Schumann.

Por entender que alguns dos colaboradores poderiam sair prejudicados, mesmo com a empresa cumprindo o que é previsto pelas regras da CLT, o Sintivepo convocou uma nova reunião, na qual foi fechado um novo acordo com o Grupo Malwee.

Neste acordo, ficou estabelecido que os trabalhadores que optassem pela demissão poderiam ter acesso a 100% do FGTS, caso não tivesse sacado anteriormente, com a multa de 40%, destinado novamente à empresa. Além disso, o colaborador terá acesso ao Seguro Desemprego integral, mais as férias e 13º salário proporcionais.

Já para os trabalhadores que aceitaram ser transferidos para Jaraguá do Sul, haverá a garantia de emprego e salário por 30 dias após ser transferido para a matriz; Se estiver recebendo auxílio creche, continuará recebendo; terá transporte garantido para ir para Jaraguá do Sul; e será abrangido pelas garantias e direitos da convenção do município vizinho.

“Uma conquista também foi que as pessoas não vão para Jaraguá, poderão vir para o Sindicato entre os dias 24 de maio a 23 de julho para buscar uma carta de demissão e partir do momento em que esta carta for protocolada no RH, o colaborados não precisaria mais ir trabalhar. A partir deste momento a empresa tem 10 dias para oficializar a demissão. Este acordo foi um ganho muito grande para o Sindicato e para o trabalhador, principalmente. Conseguimos um avanço nesta negociação. Se o trabalhador aceitasse só o mútuo acordo, ele sairia perdendo muito mais”, destaca o presidente do Sintivepo.

Confira o acordo completo estabelecido entre o Sintivepo e o Grupo Malwee.

A UNIDADE POMERODENSE

A segunda unidade Malwee está localizada em Pomerode, cidade que preserva inúmeras casas de arquitetura germânica em estilo enxaimel, sendo referência histórica e turística de Santa Catarina por abrigar um dos mais importantes acervos da imigração alemã do Brasil. Fundada em 15 de agosto de 1975, iniciou setores de costura e dobração. Com o crescimento da empresa, em 1978, uma importante expansão garantiu a implementação de outros setores, com parque fabril de 12 mil m². Dentre os diversos benefícios, ginástica laboral, equipamentos e mobiliários modernos e ergonômicos, ambulatório médico, restaurante e associação recreativa.

Fonte:

http://jornaldepomerode.com.br/noticias/grupo-malwee-fecha-filial-e…

 

No dia posterior , foi publicada uma entrevista com o CEO do Grupo, no site do NSC Total, a qual reproduzimos aqui: 

ENTREVISTA

Malwee investirá R$ 100 milhões até 2021

Por Loetz
23/05/2019 – 10h00 – Atualizada em: 23/05/2019 – 10h00
Fonte https://www.nsctotal.com.br/colunistas/loetz/malwee-investira-r-100-milhoes-ate-2021

Guilherme Weege, CEO do grupo Malwee, de Jaraguá do Sul, anuncia investimentos de R$ 100 milhões para o triênio 2019/2021 em entrevista exclusiva dada à coluna. Explica os planos da companhia, como agir para se manter competitivo e analisa o ambiente de negócios. 

A Malwee é uma das mais tradicionais empresas têxteis de Santa Catarina. Como está se preparando para se manter competitiva? Qual é a estratégia?

A Malwee vai aplicar R$ 100 milhões nos próximos três anos. Os recursos serão aplicados em três frentes. R$ 10 milhões em sustentabilidade: reuso da água; tecnologias para reduzir o consumo da água; instalação de placas de energia solar. A meta é chegar na prática, ao conceito de lavanderia 5.0. Outros R$ 25 milhões em maquinário para modernizar o parque fabril e aumentar a produtividade. E R$ 65 milhões em tecnologia e inovação, e no desenvolvimento de negócios via e-commerce. Vamos melhorar processos de gestão, automatizar processos e investir em tecnologia da inovação que facilite a aproximação com o consumidor.

Qual é o tamanho da Malwee, hoje?

Faturamos mais de R$ 1 bilhão por ano, temos 6 mil funcionários. A produção é de 35 milhões de peças por ano em quatro fábricas. Temos 24 mil pontos de venda no país.

Qual é o papel do mobile para os negócios?

Com o emprego de inteligência artificial, o atendimento ao cliente poderá ser por Whatsapp, e tecnologias que permitirão localizar o consumidor onde quer que ele esteja. O consumidor poderá comprar online e retirar o produto nas lojas. Isso significa que vamos dar atenção maior aos nossos pontos de venda.

O que se pensa para reduzir custos? Concentrar produção?

Não é bem isso. Estamos, sim, transferindo a unidade de Pomerode para Jaraguá do Sul. Isso acontecerá ainda neste ano. Lá há 300 funcionários, de um total de 6 mil em todo o grupo. É um rearranjo de produção.

Como o senhor percebe o mercado?

O consumo não está crescendo. Todos esperam pela reforma da Previdência. Nos três últimos anos estamos crescendo num ritmo menor do que 10%, mas, mesmo assim, mais do que a média do setor.

A Malwee também tem fábrica no Nordeste. O que isso significa para a companhia?

Fizemos investimentos na fábrica do Ceará há quatro anos. O mercado do Nordeste tem potencial para crescer, sim. Mas não estamos despriorizando Santa Catarina.

Qual é o cuidado com as marcas?

Temos marcas importantes. Isso exige que se mantenham relevantes sempre. Nosso esforço é para que nossas marcas estejam no topo da memória dos consumidores.

O que deseja o consumidor atual?

Ele quer mais do que um produto e preço. Ele quer comodidade. As marcas têm de ter histórias para contar e têm de conversar com o cliente; as marcas têm de ter propósito.

Haverá novas tecnologias em roupas?

A forma de produzir vai mudar. Há estudos para o desenvolvimento de tecnologias capazes de medir o batimento cardíaco das pessoas. Nossas peças infantis têm proteção UV. E já são fabricadas pensando nas necessidades de sustentabilidade e conforto dos clientes. E ainda virão tecnologias que utilizam grafeno – algo ainda muito recente.

E ambiente macroeconômico? A crise continua…

Para vencer a crise é preciso ter disciplina. No caso da Malwee, não abrimos mão da relação completa com o consumidor. Ter qualidade da relação com o consumidor é fundamental. Outra coisa essencial é conter custos, fechar as torneiras.

Qual foi o desempenho da empresa no ano passado?

Faturamos pouco mais de R$ 1 bilhão. Não divulgamos lucratividade. Ganhamos vários prêmios.

Falou-se, nos últimos 30 dias, que a Malwee estava sendo negociada. A Malwee está à venda?

A Malwee nunca esteve à venda, não está à venda. É uma notícia infundada. Estamos investindo R$ 100 milhões. Então, não faz sentido isso.

O que o senhor enxerga para o Brasil?

Estamos mais torcendo do que enxergando alguma coisa. A cada três meses aparecem situações distintas. A economia precisa crescer; e o poder de compra também. Temos pelo menos 15 milhões de brasileiros abaixo da linha de pobreza. Temos 14 milhões de desempregados. Imagina os efeitos disso!